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Entretenimento & Educação

Arte, Criatividade e Terapia com Areia: Uma Carícia no Cérebro

Por: Celeste Carneiro

Edição e adição de dados da neurociência: Silvia Helena Cardoso
Tema: Arte e Cultura

A apreciação da arte está enraizada na biologia humana. Quando vemos uma arte magnífica, somos inundados com uma sensação interna de prazer e encantamento. A neurociência está a caminho de explicar esta sensação. Em uma conferência internacional de Neuroestética com subtítulo Emoções na Arte e no Cérebro, nos EUA, realizada em 2004, neurocientistas apresentaram trabalhos que mostravam imagens cerebrais de pessoas olhando para uma arte que elas achavam muito bonita. Nestas pessoas, foram ativadas porções do cérebro que interpretaram aquele estímulo como prazer. O cérebro daqueles sujeitos experimentais mostrou uma resposta diferente à feiúra, segundo afirmação de Semir Zeki, neurocientista da Universidade College London (1) especializado em neuroestética. Neuroestética é o nome dado a um novo campo de pesquisa que usa métodos e resultados das neurociências para investigar elementos e problemas da estética (2). Estes estudos sugerem que a apreciação da arte ativa os centros da emoção positiva e libera a química do prazer.

O artista, parece então ter a capacidade de criar emoções positivas com sua arte. Para tanto, ele precisa ter não somente criatividade e talento, mas também emoção ao criar uma arte. Precisa enxergar possibilidades em coisas insignificantes, dar utilidade inesperada ao que é comum, mbelezar a vida para poder transmitir informações em sua arte, levando emoções e sensações de prazer e de bem-estar às pessoas.

Neste texto, tomaremos como exemplo, um tipo especial de arte: a arte em areia. O que se pode fazer com um montinho de areia? Na mente e nas mãos do artista, ele pode se transformar em criações belíssimas, como na arte abaixo.


Vídeo 1. Técnica de animação em areia mostra a extrema sensibilidade da artista Ilana Yahav.

Outras artes com areia são feitas em todo o mundo, inclusive no Brasil, No Ceará, por exemplo, moradores de regiões praieiras usam as areias multicores das falésias para criarem paisagens, motivos ornamentais, que eles colocam cuidadosamente com o auxílio de pequenas pás dentro de garrafas dos mais variados formatos. Na região da Chapada Diamantina, especialmente em Lençóis, também encontramos areias coloridas artisticamente colocadas dentro de garrafas.


Montes de areia na beira da praia se transformam em esculturas magníficas nas mãos do artista. (Foto cedida por Silvia H. Cardoso. Rio de Janeiro, 2007).


Rio de Janeiro, 2007.

Semelhante a artista Ilana Yahav, os monges tibetanos criam a arte e desapegam-se de cada criação. Eles realizam em grupo uma trabalhosa criação de mandala com areias coloridas em que buscam exercitar o auto-controle, a concentração, a meditação, o autoconhecimento e, ao concluírem o belo trabalho, desfazem, exercitando o desapego.

Terapia com areia: Tranquilidade, alegria e auto-satisfação

Procurando levar um novo colorido às paisagens internas das criaturas que me procuram com depressão, dissociadas, ou crianças com hiperatividade, criei (Celeste) um instrumento de apoio à terapia que dei o nome de Mandala da Terra: uma caixa de madeira quadrada com areia da praia dentro e à disposição do cliente uma vasilha com várias pedras do mar, de rio, dos caminhos, pequenos seixos, conchas e búzios, cavalo-marinho, para que ele possa criar sua mandala e, ao mesmo tempo, entrar em contato com a terra, com os elementos mais concretos. Às vezes, só o contato com a terra já faz bem – pegar com as mãos, brincar com a areia, ou enfiar os pés e deixar que ela escorra pelos dedos.

Alguns trabalhos dos clientes de Celeste na Mandala da Terra.

Deixar que a imaginação flua, que as memórias aflorem, que a criança interior assuma o posto, e trate a criança ferida, trazendo um olhar feliz para o adulto que sofre e que sai sorrindo dessa atividade.

A presença do mar de forma simbólica conduzindo ao oceano de possibilidades para o resgate do Ser feliz, ou a terra simples das estradas da vida, do quintal de casa, das pedras do caminho, e os contornos que precisamos fazer para prosseguir...

Na Terapia Junguiana é comum o uso do Jogo da Caixa de Areia, criada por Dora Maria Kalff em meados da década de 50. A caixa de areia é retangular, o fundo é azul e o cliente escolhe miniaturas das mais diversas representações para ir compondo sua paisagem na areia. A atividade lúdica auxilia os mais racionais a exporem suas emoções e lembranças que o terapeuta usa para a elaboração dos conteúdos internos e condução da terapia

Areias que representam o Universo, à semelhança do escrito por Stephen Hawking no livro O Universo na Casca de Noz.

Um grão de areia – semelhante à Terra na imensidão da nossa Galáxia...

E nós, nessa imensidão, poderemos imaginar que somos as pequenas estrelas na poeira do infinito, embelezando as galáxias... ou a pequena pérola no seio do oceano, criada a partir do instante em que um grão de areia entrou na concha.

Autora: Celeste Carneiro
cel5@terra.com.br
www.artezen.org

Referências:
1. We know what we like, but only our brains know why
2. Art and the Conscious Brain

Para saber mais:
Monges Tibetanos
Caixa de areia:
Areia em garrafas:
Arte de Ilana Yahav
Lenda Árabe
Lenda das Areias

Vídeos adicionas de arte na areia:

Como funciona técnica de animação em areia? Descubra aqui (em inglês).

Artigo publicado em 15/12/2007


Copyright© Silvia Helena Cardoso