O feto é capaz de aprender, lembrar e emocionar-se?
22 de Novembro de 2007Silvia Helena Cardoso
Sabemos que aos 6 meses, o feto começa a mostrar sinais de personalidade individual. Ele tem padrões definidos de sono e vigília, tem uma posição predileta no útero e torna-se mais ativo - chutando, espichando-se, encolhendo-se. Aos 7 meses, entre outras coisas, já chora, engole, suga o polegar. O mais curioso, é que eles parecem também aprender e se lembrar. Em uma experiência, bebês de três dias sugavam mais um bico que ativava uma gravação de uma história que suas mães haviam lido com frequência durante as últimas 6 semanas de gestação do que em bicos que ativavam gravações de outras histórias. Ao que parece, os bebês reconheciam a história que haviam escutado no útero. Um grupo controle, cujas mães não haviam recitado uma história antes do nascimento, reagia da mesma maneira às três gravações Experiências semelhantes constataram que neonatos de dois a 4 dias de vida preferem a voz de sua mãe e de outras mulheres, vozes femininas a vozes masculinas e a lingua nativa da mãe a outro idioma (DeCasper et al.,1980)
Referência:
DeCasper et al. (1980)
Of human bonding: Newborns prefer their voices mother´s. Science,
208, 1174-1176
Outras pesquisas relacionadas também contribuem para compreender
essa relação entre feto/mãe/meio ambiente. Por exemplo:
Estresse de grávida pode atingir embrião
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL45096-5603,00.html
Pai estressado prejudica bebê na gravidez
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL2531-5603,00.html
Feto sente prazer quando mãe faz sexo
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL59283-5603,00.html
Tudo isto me tráz reflexões profundas e positivas, mas também
preocupantes. O equilibrio emocional, o temperamento, a definição da
personalidade, enfim, os elementos chaves que vão trazer felicidade
ao indivíduo, já começa no ventre da mãe! Se um feto tiver a sorte
de ter uma mãe carinhosa, atenciosa, com boa educação e formação,
ele terá grande chance de sentir as emoções positivas durante sua
vida. Mas… e os que não tiverem?
Essas descobertas deveriam ser transformadas em informações e
orientações para mães de qualquer nível social, principalmente as de
nível educacional mais baixo. Fica aqui mais uma proposta de projeto
social e de pesquisa: orientação dessas mães para estas questões, em
postos de saúde, bairros carentes, maternidades.
Profa. Dra. Silvia Helena Cardoso, Neurocientista
Fundadora do Instituto da Ciência da Felicidade
http://www.institutodafelicidade.org.br/