Quando você olha esta imagem de perto vê Albert Einstein.
Mas se
você apertar um pouco os olhos ou se afastar a cerca de 5 metros vai
transformar-se em
Marilyn Monroe.
Como isso é possível?
Parece
quase mágico. Para ajudá-lo a entender, precisamos explicar como
essas imagens foram construídas.
Um
retrato normal, fotográfico ou desenhado, contém vriações das chamadas
“freqüências espaciais”, que podem
ser
de dois tipos. As freqüências espaciais “altas” se referem aos
detalhes, aos traços finos de uma imagem. Já as
freqüências espaciais “baixas” estão nas linhas largas e nas
bordas embaçadas, sobretudo de objetos grandes. A maioria
das
imagens contém um espectro de freqüências que vão da alta à baixa,
em proporções variáveis.
Usando algoritmos de computador, pode-se processar um retrato
normal para remover seletivamente diferentes
freqüências espaciais. Se as altas forem removidas, teremos uma imagem
borrada. Este procedimento de embaçamento é
chamado filtro passa-baixo, porque barra as freqüências altas
(bordas precisas, linhas finas) e deixa passar as
baixas. O filtro passa-alto, por sua vez, faz exatamente o contrário:
mantém as bordas definidas e os contornos
delicados e remove variações de larga escala. O resultado parece um
pouco um esboço sem sombreamento.
Esses
tipos de imagens processadas por computador são combinadas, de maneira
atípica, para criar os rostos que se
transformam misteriosamente. São usadas fotografias normais com a
face de Einstein e de Marylin. Então cada rosto é
filtrado para obter tanto imagens passa-alto (contendo
linhas finas e definidas) quanto passa-baixo (borradas).
Depois são combinadas a foto do passa-alto com a face do
passa-baixo.
O que acontece quando os retratos são vistos de perto?
Primeiro, a imagem precisa estar próxima para você ver as
características mais definidas. Segundo, quando visíveis,
elas
“mascaram” objetos de larga escala (freqüências espaciais baixas) ou
desviam a atenção deles.
Assim,
quando você traz a imagem para perto, as características definidas
tornam-se mais visíveis,
mascarando aquelas pouco definidas. Ao deslocar a página mais para
longe, seu sistema visual não é mais capaz de
processar os detalhes finos; a expressão transmitida por eles
desaparece e apenas as freqüências baixas são expostas
e percebidas.
As
fotos ilustram uma idéia originalmente formulada pelos cientistas
Fergus Campbell e John Robson, da Universidade de
Cambridge. Eles demonstraram que informações de diferentes freqüências
espaciais são paralelamente captadas por vários
canais neurais, cujos campos receptivos são de variados
tamanhos (o campo receptivo de um neurônio visual é a porção
da
retina na qual um estímulo precisa ser apresentado para
ativá-lo). Isso também mostra que os canais não funcionam
isolados. Ao contrário, interagem de maneiras interessantes,
por exemplo: as bordas definidas captadas por pequenos
campos
receptivos mascaram as variações borradas de grande escala
sinalizadas pelos campos receptivos maiores.

Se você se afastar ou apertar os olhos, a face da esquerda ficará calma, e a da direita brava.

Se você se afastar ou apertar os olhos, verá a imagem de Lincoln
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Adaptado de Vilayanur S. Ramachandran e Diane
Rogers-Ramachandran
Mente e Cérebro